Dentista, você está se prevenindo dos possíveis acidentes de trabalho no seu consultório?

Os cirurgiões-dentistas estão entre os profissionais de saúde mais expostos a acidentes, principalmente aqueles causados por materiais perfurocortantes e fluidos biológicos. Por isso, a biossegurança nunca é demais quando se atende a um paciente ou na manipulação de instrumentos, material biológico e superfícies contaminadas. Se caso as normas não forem cumpridas, as sanções previstas na lei podem ir desde uma simples advertência ou multa classificada em leve, grave ou gravíssima, até a interdição do estabelecimento odontológico (Decreto-Lei 214 de 17 de junho de 1975).

Hoje, no Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, precisamos ter a consciência de que prevenir sempre é o melhor remédio. Principalmente, quando falamos da área da saúde. Na odontologia, os riscos de contaminações por vírus, bactérias ou fungos são alguns dos exemplos que o(a) dentista pode contrair. Além, é claro, de Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Osteomuculares Relacionados ao Trabalho (DORT).

Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)
As principais doenças infectocontagiosas que representam riscos no consultório odontológico podem ser causadas por vírus como: Catapora, Hepatite B, Hepatite C, Conjuntivite Herpética, Herpes Simples, Herpes Zoster, Mononucleose Infecciosa, Sarampo, Rubéola, Parotidite, Gripe, Papiloma vírus Humano, Citomegalovírus, HIV. Podendo ser causadas por bactérias que levam à Pneumonia, Infecção por Estafilococos, Estreptococos, Pseudômonas, Klebsiella, bacilos como o da Tuberculose, e ainda os fungos, mais comumente associado à Candidíase. Os profissionais de odontologia também devem se vacinar.

Os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) precisam fazer parte da rotina clínica, nenhum deles pode faltar. Em todos os procedimentos, até mesmo na lavagem de materiais, não deixe de usar. A biossegurança é indispensável.

– Touca, luva e máscara.

– Os jalecos deverão ser impermeáveis na lavagem dos instrumentais e artigos, pois seu corpo pode ficar em contato da pele com a umidade e, caso tenha alguma descamação, machucado ou ferida, você estará correndo grande risco.

– Óculos de proteção.

– Sapatos fechados.

– Propé.

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LER ou DORT
Cerca de 100 mil colaboradores por ano só no Brasil, são atingidos por DORT, segundo dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Primeiro vamos entender os termos. É possível entender que LER e DORT estão associadas as mesmas relações de doenças, sendo que a primeira pode ser ocasionada por diversas atividades não relacionadas à atividade laboral, como mexer no celular, por exemplo; e DORT refere-se apenas às causas que tenham relação com a prática do trabalho.

As mais comuns entre as duas são: tendinite, bursite e tenossinovite. Nas osteomuscular temos: tendões, articulações, músculos e nervos. Os sintomas mais relevantes podem ser: sensação de peso, perda da forma, inchaço, dormência, formigamentos, perda de sensibilidade, dor em alguns movimentos específicos.

Podemos enumerar alguns dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de LER ou DORT:

– As condições inadequadas do ambiente de trabalho.
– Movimentos repetitivos, má postura, condições inapropriadas e estrutura inadequada para o trabalho.
– Baixo condicionamento físico e jornadas excessivas, com horas ininterruptas de repetição de tarefas.
– Estresse e pressão no ambiente ocupacional.

Como evitar a LER ou DORT?
Algumas práticas podem ser realizadas durante o dia a dia para que elas não se desenvolvam. É recomendado adotar um estilo de vida focado na promoção da saúde e bem-estar, bem como um bom condicionamento físico. Isso pode ser feito por meio de ações simples, como:

• Praticar atividades físicas regularmente e exercícios para o fortalecimento muscular, além de alongar pela manhã, ao acordar, e à noite, antes de ir dormir. Músculos fortes e alongados são capazes de suportar melhor as exigências da rotina diária;
• Manter uma dieta saudável;
• Priorizar um sono adequado;
• Beber dois litros de água diariamente;
• Não fumar;
• Evitar o consumo de bebidas alcoólicas.

No consultório, a aquisição de móveis e aparelhos ergonomicamente indicados é um bom começo, pois ajudam o(a) dentista a permanecer em uma postura correta durante os procedimentos. Entretanto, mesmo com móveis ergonômicos, é necessário um cuidado especial com a postura.

A postura durante um atendimento depende, entre outros, do procedimento a ser realizado e da região da arcada. Independente disso, é recomendável manter as articulações em uma posição neutra, com os membros próximos ao corpo. Também é importante que o profissional execute paradas – mesmo que curtas – com uma certa frequência.

Durante o tratamento de um paciente, não se devem usar luvas que apertem a região dos pulsos, e a força compressiva e velocidade de instrumentos manuais devem ser diminuídas. Também é importante evitar a aplicação de força em excesso ao longo do tratamento ou movimentos repetitivos. É importante intercalar a execução de procedimentos, que não marque seguidamente em sua agenda pacientes com o mesmo tratamento, para não realizar os mesmos movimentos.

É responsabilidade de todo cirurgião-dentista a orientação e manutenção da assepsia de todo o ambiente e o cumprimento das normas de biossegurança. Devemos sempre lembrar que quanto maior a exposição às situações de riscos, maiores são as probabilidades de ocorrência de acidentes.

Esperamos que aproveitem as nossas dicas! Até a próxima.

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